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CrossOver: Battle Chasers

Joe Madureira virou-se então para o mercado dos videojogos, onde fundou a empresa Tri-Lunar e, mais tarde, a Vigil Games. A sua arte inconfundível serviu de direção aos dois jogos maiores da Vigil, Darksiders e Darksiders 2, onde se encontravam muitas das referências visuais já presentes em Battle Chasers.

 

 

 

O fim da Vigil Games acabou por ser o catalisador para o retorno de Madureira ao universo dos Battle Chasers. Em 2015, anunciou o desenvolvimento do jogo Battle Chasers, através da sua nova companhia, Airship Syndicate. Em 2017, com um controle total sobre o desenvolvimento, uma equipe sólida e uma campanha muito bem sucedida no kickstarter, Joe Madureira voltou finalmente aos personagens da sua banda desenhada.

 

 

Battle Chasers: Nightwar não requer conhecimento dos comics, nem é a continuação dos mesmos. Isso, a fazer fé na campanha do Kickstarter, vai acontecer com a publicação dos números 10-12 da série de BD por via digital! No jogo, a Airship Syndicate procurou incorporar tudo aquilo que são as paixões do seu criador, Joe Madureira. O jogo tem um estilo gráfico em linha com o trabalho já desenvolvido em Darksiders e a piscar o olho à Blizzard e á Riot.

Logo a abrir somos brindados com um vídeo que incorpora a banda desenhada de Ludo Lullabi com animação, onde somos (re)apresentados aos personagens.Com uma jogabilidade remissiva dos JRPG, com um overworld dado à exploração, onde a qualquer momento podem surgir inimigos, gerando as clássicas cenas de batalha ao estilo de Final Fantasy e afins. As várias dungeons do jogo podem ser revisitadas porque o seu conteúdo é gerado aleatoriamente (ou quase!) de cada vez que as visitamos.

Apesar de ser necessário algum grind de forma a fazer evoluir todos os personagens, visto que só os personagens presentes na nossa equipa recebem pontos de experiência, o sistema de combate é tão aliciante que se perdoam algumas falhas. No entanto, a história do jogo é bastante linear, sem espaço para grande desenvolvimento, excepção feita a  alguns diálogos entre os personagens principais, que são suportados magistralmente pela (pouca) locução do jogo.

 

Battle Chasers: Night War é um excelente jogo para entusiastas de JRPG ou Dungeon Crawlers, muito bem equilibrado e acessível de uma forma geral. Para os fãs da banda desenhada, a possibilidade de rever e jogar com estes personagens é um bónus!

Battle Chasers: Night War está disponível para PC, Xbox One e Playstation 4.
Uma versão para a Nintendo Switch está em desenvolvimento.

Pedro Potier

artista para videojogos, com pequenas deambulações pela banda desenhada, animação, storyboard e ilustração escolar, editorial, jogos de cartas e tabuleiro, publicidade…

fascinado pela interdisciplinariedade dos meios de entretenimento e cultura actuais, vai tentar aqui dar a conhecer um pouco do que se faz nas várias áreas.

02 Janeiro
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Alita: o lendário Gunnm de Cameron

Não será coincidência que, na sequência de nostalgia Cyberpunk marcada por Blade Runner 2049 e do 35º aniversário de Akira, Alita tenha sido amnistiada de um dos mais longos development hells de Hollywood. Os fãs mais velhos recordar-se-ão de quando a imprensa anunciou originalmente os planos de James Cameron em relação a Spider-Man e a um mangá de culto chamado Gunnm.

Da autoria de Yukito Kishiro, Gunnm, mais tarde conhecido no mercado anglófono como Battle Angel ou Battle Angel Alita, conta a história de uma cyborg amnésica chamada Alita ( Gally, no original) que é encontrada e salva num gigantesco ferro velho por Ito, um médico de organismos cibernéticos. Com a sua ajuda, Alita recorda a sua enigmática mestria em na letal arte marcial Panzer Kunst e inicia uma saga que soma nove volumes. O seu equilíbrio entre imagens delicadas e alguma da melhor linguagem cinética alguma vez desenhada em mangá, explica em grande parte o seu sucesso ininterrupto, desde 1990.

James Cameron é um homem famoso pela sua teimosia (ver capítulo “sim, vou descer a Fossa das Marianas sozinho no meu submarino”). No ano 2000 os domínios battleangelalita.com e battleangelmovie.com são registados, duas bandeiras de sinalização ondulando no éter acompanhadas dos mais ínfimos indícios de que o realizador canadiano não abandonara a velha ideia. Em 2003, Cameron confirma o seu envolvimento e, mais excitante, declara que a pré-produção está já em marcha. Dois anos depois, o projecto é adiado. Cameron está a fermentar algo apelidado de Project 880 no seu laboratório secreto, um super ambicioso projecto que o mundo virá a conhecer como Avatar. O blockbuster passado no planeta Pandora revelar-se-ía o veículo eleito para a tremenda paixão do realizador por temas ecológicos. Ao ser dada prioridade a duas sequelas com os humanóides azuis, Alita é uma vez mais adiada.
Em 2015, por fim, Robert Rodriguez (El Mariachi, Sin City, From Dusk ’til Dawn) impressiona Cameron com a sua depuração do guião anotado de quase 800 páginas, escritas em torno dos primeiros quatro volumes, e é convidado para realizar.

A tecnologia, sem a qual Cameron se recusava a produzir o filme até agora, estava em desenvolvimento desde 2005, com Avatar e The Adventures of Tintin (2011) de Spielberg a afinarem passos fundamentais. Cameron insistiu em filmar olhos à escala das proporções desenhadas na famosa protagonista do mangá original. O chamado uncanny valley é a indesejável reacção de rejeição do espectador a um ser humano digital e os olhos (aqui, enormes) são sempre o proverbial final boss.
À tecnologia de ponta, junta-se um cast de luxo com Jennifer Connelly, Christoph Waltz e o versátil Mahershala Ali em dois papeis distintos.
Alita Battle Angel estreia a 20 de Julho de 2018. James Cameron garante-o desta vez.

© 2018 20th Century Fox

p.s.: A editora Kodansha publicou as excelentes Deluxe Editions para o público anglófono descobrir ou revisitar esta obra fundamental antes da estreia da adaptação. Altamente recomendadas:

29 Dezembro
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QuemPorquêQuandoComo: David Lafuente


Nome:

David Lafuente

De onde és? Quantos anos tens?

 Sou espanhol, nascido em uma cidade chamada Gijón. Tenho 35 anos.

Como é que a zona onde cresceste influenciou os teus gostos / trabalho?

Eu acho que crescer numa cidade pequena e numa família de classe trabalhadora, transformou-me na pessoa desinteressada na riqueza que sou hoje em dia. Eu prefiro as personagens underdog e o que acontece fora das grandes cidades. Além disso, o que acontece fora do planeta? Eu não sei. Tenho um défice de atenção demasiado grande para responder a essa pergunta.

BDs favoritas, filme, livro, programa de televisão, banda, enquanto crescias?

Saint Seiya como BD e série de TV,  o The Empire Strikes Back, e não li muitos romances nem ouvi muita música.

Criadores favoritos e seu impacto no teu trabalho?

German Garcia foi uma influência muito forte durante muitos anos em termos de trabalho de figura e sensação geral. Hergé devido ao gosto pela alta aventura e por ambientes ricos. Frank Miller, Javier Pulido quando se trata de contar histórias e layouts. E uma mistura de autores japoneses cuja dinâmica me influência.

Quando é que é começaste a pensar que fazer BD poderia vir a ser o teu emprego?

No final da minha adolescência. Por volta da altura em que eu tive que escolher se deveria ir para a faculdade ou não. Houve um momento de despertar para mim, no qual me perguntaram o que eu queria fazer e eu não consegui responder. A minha mente estava em branco, e apenas a BD ficou.

Como foi o caminho para lá chegar?

Demasiado longo se me perguntassem na altura, mas correu bem e foi normal. Eu teria dispensado os primeiros clientes que tentavam que eu trabalhasse de graça, e que faziam jogadas de poder movidas por ego e gozo. Isso criou-me uma certa amargura e ressentimento que me acompanha durante a vida … mas uma pessoa aprende a manter esses sentimentos sob controle.

Como é o teu dia de trabalho?

Hoje em dia, um pouco caótico, mas eu mentiria se eu dissesse que não é sempre da mesma maneira. Estou trabalhar numa apresentação para um novo livro e a fazer trabalho freelance para a Valiant.

Ferramentas do ofício?

Todas. Eu realmente gosto de experimentar novas ferramentas. Na maioria das vezes eu uso um lápis vermelho para desenhar, marcadores Pilot e Sakura para a tinta e um pincel Pentel Aqua para alguns detalhes, como as linhas de velocidade.

Melhores/piores partes do trabalho?

O melhor é o desafio criativo de fazer algo que possa ser bom / interessante / emocional. O Pior é a parte dos negócios, negociar contratos com pessoal engravatado.

Quebras criativas, tens? Como é que as superas?

Sim tenho, muitas vezes. Eu sou muito difícil comigo mesmo, nada é bom o suficiente e isso tende a paralisar-me às vezes. Eu supero-as, ou afastando-me da mesa, ou sentando-me e tentando uma e outra vez. Tornar a tarefa tão pequena quanto possível também é uma boa maneira. Não é possível fazer uma página? Experimento um painel. Não é possível fazer um painel? Experimento um rosto. E daí por diante.

Vida social? É possível ter uma?

Não tenho noção, estou morto por dentro.

Convenções de comics? Sim ou não?

São lugares excelentes para se sair com outros criadores e discutir coisas pessoalmente. É difícil, se és tímido, porque vais encontrar muitas pessoas do meio, leitores, etc. Eu acho que depende do momento a nível pessoal em que estamos.

Projecto favorito?

Ultimate Spider-Man

Projecto de sonho?

Eu a escrever e a desenhar o que quer que eu queira. Uma bd periódica, de ficção científica, uma história que abrangente a várias gerações, com um grande elenco.

Opiniões sobre o estado actual do meio?

É complicado porque as pessoas que conseguem solucionar os problemas do meio não têm problemas. Eles são ricos, e os seus negócios estão bem. Há uma dificuldade em conseguir que determinado material chegue às pessoas que possam estar interessadas nele. Há uma dependência excessiva das formas antigas, da mesma distribuição antiga, dos mesmos antigos alvos. A conversão para distribuição digital está a ser muito lenta. Os piratas fazem um trabalho melhor do que os editores, que não parecem ser capazes de aprender nada com a  Netflix além de quererem adaptar seus IPs para BD.

Do ponto de vista criativo, estou incrivelmente animado para ler e ver o que os criadores novos e veteranos estão a inventar. Do ponto de vista do negócio, estou ansioso para ver algum do talento editorial ter um reinado livre e algum dinheiro.

Projectos de autor versus projectos encomendados?

Ambos são bons para ler e trabalhar, mas a BD pertencente a grandes empresas acaba por ser ingrata para os criadores quando se fala a longo prazo.

O futuro?

Não tenho certezas. Hoje em dia nem consigo ver o que se vai passar na próxima semana, vamos conversar novamente em alguns anos.

David Lafuente (twitter.com/srDavidLafuente) é um artista de Comics Espanhol conhecido pelo seu  trabalho em livros como o Ultimate Spider-Man e o The Graveyard Book de Neil Gaiman. Ele entrou no mercado Norte Americano  em 2008, desenhando a minissérie de sucesso, Patsy Walker: Hellcat. Lafuente está atualmente a trabalhar num projecto de autor escrito por Kieron Gillen e Jim Rossignol.

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Colors by Laura Allred.

Colors by Justin Ponsor.

Colors by John Rauch.

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27 Dezembro
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