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Ouro, Prata e Bronze

03 Janeiro

Revisitando um ano como o que acabou, torna-se impossível ignorar um permanente contra-ponto às histórias de intransigência, no geral, e de misoginia, em particular. Uma das maiores faces dessa reacção foi, talvez, o modo como a presença e celebração femininas ocuparam áreas do mainstream que há muito se assumem e apresentam como território hostil, ou, pelo menos, desadequado.
Um aspecto pragmático óbvio é o box-office dos candidatos a blockbuster do mercado americano e este ano, os três grandes vencedores têm protagonistas femininas. Tal alinhamento não acontecia desde 1958. Enquanto caía em chamas sobre a terra Sputnik e os primeiros Hula Hoops começaram a rodopiar, Elisabeth Taylor incendiava Cat on a Hot Tin Roof.

Em 2017, Rey, interpretada por Daisy Ridley, encabeçou a mega-produção de Star Wars: The Last Jedi, o mais recente episódio do universo criado por George Lucas, sob o qual pesava enorme antecipação e cuja história assentou em grande parte na presença de personagens femininas. Belle, nas mãos de Emma Watson, cujo aprendizado em grandes produções foi forjado na série Harry Potter, é a principal personagem da versão live-action de Beauty and the Beast. Por fim, em Wonder Woman, Gal Gadot deu corpo e voz à icónica super-heroína sob a direcção de Patty Jenkins, coroadas ambas com os louros de criarem a única produção recente to universo DC com apreciação universal.

O analista Paul Dergarabedian comparou a relação entre estas heroínas e a misoginia com a reacção do cinema dos anos 60 e 70 à Guerra do Vietname. Aguardam-se novos feitos lendários para 2018.

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