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QuemPorquêQuandoComo: Daniel Henriques

16 Janeiro

Nome:

Daniel Henriques

De onde és? Quantos anos tens?

Sou de Portugal e tenho 32 anos.

Como é que a zona onde cresceste influenciou os teus gostos / trabalho?

A zona onde cresci teve de facto impacto nos meus gostos e trabalho, eu tive uma infância pobre e morava numa área rural que ficava isolada do resto do planeta alguns meses por ano quando não havia escola, isso de uma certa maneira levou-me a mergulhar em universos imaginários da BD, livros e televisão e realmente expandiu a minha imaginação, mas depois eu também tinha o resto do ano, em que gostava muito de andar de bicicleta com os meus amigos e de estar ao ar livre e ter aventuras divertidas, consegui um bom equilíbrio que me permitiu ter um leque bastante diversificado de gostos.

BDs favoritas, filme, livro, programa de televisão, banda, enquanto crescias?

Spawn (porque é a bd que me fez querer entrar para o meio), Alien, tudo de Stephen King, X-files, Metallica e Soundgarden.

Criadores favoritos e seu impacto no teu trabalho?

Todd Mcfarlane é a minha principal influência em termos de eu querer fazer parte do meio, também Greg Capullo e Joe Madureira foram grandes inspirações para mim.

Relativamente ao trabalho como arte-finalista Jonathan Glapion, Scott Williams e Danny Miki foram as maiores influências.

Quando é que é começaste a pensar que fazer BD poderia vir a ser o teu emprego?

Eu decidi que queria ser um arte-finalista assim que descobri o que era a arte-final, eu sempre quis trabalhar em BD e, assim, eu poderia colaborar com os meus artistas favoritos, o que se tornou a minha principal motivação.

Como foi o caminho para lá chegar?

Foi um jogo de paciência e trabalho árduo, tive sorte em algumas das amizades que fiz e nunca passei pela fase de mostrar o portfólio a editoras. Jonathan Glapion é a razão pela qual eu consegui ter o meu trabalho à frente de editores e ensinou-me muito sobre a arte-final e sobre o próprio meio. Durante praticamente dois anos trabalhei como seu assistente e fui ao mesmo tempo tentando melhorar no meu ofício para estar pronto para quando uma oportunidade se apresentasse, e quando isso aconteceu, o verdadeiro desafio começou.

Ficar no “biz” é muito mais difícil do que entrar no mesmo, como tal, o que sempre fiz  foi baixar a cabeça e tentar fazer o meu melhor, e deixar, espero eu, o trabalho falar por si mesmo.

Como é o teu dia de trabalho?

Nos últimos dois anos, foi praticamente 12 a 20 horas por dia na mesa, às vezes mais, sete dias por semana com pouco tempo para qualquer outra coisa.

Agora que eu tenho uma filha pequena, estou tentar ter dias mais equilibrados e sempre que não estou na mesa de trabalho, tento estar com ela.

Ferramentas do ofício?

Quando trabalho tradicionalmente, aparo (Hunt 102, Deleter Maru) , pincel (Raphael Kolinsky, Windsor e Newton Series 7) e várias canetas. Apesar de usar mais aparo do que o resto, e também uso várias tintas da china e tintas corretoras e, ao trabalhar digitalmente, faço a maior parte do meu trabalho no Clip Studio Paint (Manga Studio) no Wacom Mobile studio pro 16.

Melhores/piores partes do trabalho?

Melhores, trabalhar em títulos que eu adoro, com artistas que eu respeito. Piores, prazos muito apertados.

Quebras criativas, tens? Como é que as superas?

Na verdade não, mas se em alguns dias não estou muito para aí virado, simplesmente insisto, e continuo a trabalhar.

Vida social? É possível ter uma?

Sim, basta encontrar o equilíbrio certo e evitar distrações durante o trabalho.

Convenções de comics? Sim ou não?

Com certeza, é ótimo conhecer os leitores dos nossos livros e conviver com outros profissionais.

Projecto favorito?

Talvez o conjunto de números que fiz na JLA com Bryan Hitch porque é o projecto mais longo que fiz e uma história completa.

Projecto de sonho?

Na verdade, não tenho nenhum.

Opiniões sobre o estado actual do meio?

Estamos a viver numa época de grande diversidade e criatividade e eu sinto que isso se reflete na BD, há uma grande variedade de títulos e estilos artísticos, além de também gostar das adaptações feitas para cinema e televisão. Gostava que isso ajudasse a levar mais pessoas a desfrutar da BD.

Projectos de autor versus projectos encomendados?

Ambos têm o seu espaço e podem florescer lado a lado. Fico feliz ao ver vários artistas a saltar de um para o outro.

O futuro?

Após acabar os números que tenho em mãos, não posso falar sobre o que está para vir, mas vai ser um 2018 emocionante.

Daniel Henriques (twitter.com/@DHenriquesInks) nascido em 1985, é um arte-finalista de comics português. Iniciou a sua carreira como assistente de arte-final para Danny Miki e, mais tarde, Jonathan Glapion, onde contribuiu com a arte-final para títulos da Marvel, Image e DC Comics. Em 2015 começou a sua carreira a solo para a DC comics, onde trabalhou numa grande variedade de títulos DC, incluindo Green Arrow, Mortal Kombat X, Batman Arkham Knight: Robin, Green Lanterns, Justice League vs Suicide Squad, JLA, Justice League Rebirth e recentemente na Justice League of America e Supergirl.

IMAGE GALLERY

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Bryan Hitch.

Lápis por Bryan Hitch.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Lápis por Robson Rocha.

Imagem de capa, lápis Robson Rocha.

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