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QuemPorquêQuandoComo: David Lafuente

27 Dezembro


Nome:

David Lafuente

De onde és? Quantos anos tens?

 Sou espanhol, nascido em uma cidade chamada Gijón. Tenho 35 anos.

Como é que a zona onde cresceste influenciou os teus gostos / trabalho?

Eu acho que crescer numa cidade pequena e numa família de classe trabalhadora, transformou-me na pessoa desinteressada na riqueza que sou hoje em dia. Eu prefiro as personagens underdog e o que acontece fora das grandes cidades. Além disso, o que acontece fora do planeta? Eu não sei. Tenho um défice de atenção demasiado grande para responder a essa pergunta.

BDs favoritas, filme, livro, programa de televisão, banda, enquanto crescias?

Saint Seiya como BD e série de TV,  o The Empire Strikes Back, e não li muitos romances nem ouvi muita música.

Criadores favoritos e seu impacto no teu trabalho?

German Garcia foi uma influência muito forte durante muitos anos em termos de trabalho de figura e sensação geral. Hergé devido ao gosto pela alta aventura e por ambientes ricos. Frank Miller, Javier Pulido quando se trata de contar histórias e layouts. E uma mistura de autores japoneses cuja dinâmica me influência.

Quando é que é começaste a pensar que fazer BD poderia vir a ser o teu emprego?

No final da minha adolescência. Por volta da altura em que eu tive que escolher se deveria ir para a faculdade ou não. Houve um momento de despertar para mim, no qual me perguntaram o que eu queria fazer e eu não consegui responder. A minha mente estava em branco, e apenas a BD ficou.

Como foi o caminho para lá chegar?

Demasiado longo se me perguntassem na altura, mas correu bem e foi normal. Eu teria dispensado os primeiros clientes que tentavam que eu trabalhasse de graça, e que faziam jogadas de poder movidas por ego e gozo. Isso criou-me uma certa amargura e ressentimento que me acompanha durante a vida … mas uma pessoa aprende a manter esses sentimentos sob controle.

Como é o teu dia de trabalho?

Hoje em dia, um pouco caótico, mas eu mentiria se eu dissesse que não é sempre da mesma maneira. Estou trabalhar numa apresentação para um novo livro e a fazer trabalho freelance para a Valiant.

Ferramentas do ofício?

Todas. Eu realmente gosto de experimentar novas ferramentas. Na maioria das vezes eu uso um lápis vermelho para desenhar, marcadores Pilot e Sakura para a tinta e um pincel Pentel Aqua para alguns detalhes, como as linhas de velocidade.

Melhores/piores partes do trabalho?

O melhor é o desafio criativo de fazer algo que possa ser bom / interessante / emocional. O Pior é a parte dos negócios, negociar contratos com pessoal engravatado.

Quebras criativas, tens? Como é que as superas?

Sim tenho, muitas vezes. Eu sou muito difícil comigo mesmo, nada é bom o suficiente e isso tende a paralisar-me às vezes. Eu supero-as, ou afastando-me da mesa, ou sentando-me e tentando uma e outra vez. Tornar a tarefa tão pequena quanto possível também é uma boa maneira. Não é possível fazer uma página? Experimento um painel. Não é possível fazer um painel? Experimento um rosto. E daí por diante.

Vida social? É possível ter uma?

Não tenho noção, estou morto por dentro.

Convenções de comics? Sim ou não?

São lugares excelentes para se sair com outros criadores e discutir coisas pessoalmente. É difícil, se és tímido, porque vais encontrar muitas pessoas do meio, leitores, etc. Eu acho que depende do momento a nível pessoal em que estamos.

Projecto favorito?

Ultimate Spider-Man

Projecto de sonho?

Eu a escrever e a desenhar o que quer que eu queira. Uma bd periódica, de ficção científica, uma história que abrangente a várias gerações, com um grande elenco.

Opiniões sobre o estado actual do meio?

É complicado porque as pessoas que conseguem solucionar os problemas do meio não têm problemas. Eles são ricos, e os seus negócios estão bem. Há uma dificuldade em conseguir que determinado material chegue às pessoas que possam estar interessadas nele. Há uma dependência excessiva das formas antigas, da mesma distribuição antiga, dos mesmos antigos alvos. A conversão para distribuição digital está a ser muito lenta. Os piratas fazem um trabalho melhor do que os editores, que não parecem ser capazes de aprender nada com a  Netflix além de quererem adaptar seus IPs para BD.

Do ponto de vista criativo, estou incrivelmente animado para ler e ver o que os criadores novos e veteranos estão a inventar. Do ponto de vista do negócio, estou ansioso para ver algum do talento editorial ter um reinado livre e algum dinheiro.

Projectos de autor versus projectos encomendados?

Ambos são bons para ler e trabalhar, mas a BD pertencente a grandes empresas acaba por ser ingrata para os criadores quando se fala a longo prazo.

O futuro?

Não tenho certezas. Hoje em dia nem consigo ver o que se vai passar na próxima semana, vamos conversar novamente em alguns anos.

David Lafuente (twitter.com/srDavidLafuente) é um artista de Comics Espanhol conhecido pelo seu  trabalho em livros como o Ultimate Spider-Man e o The Graveyard Book de Neil Gaiman. Ele entrou no mercado Norte Americano  em 2008, desenhando a minissérie de sucesso, Patsy Walker: Hellcat. Lafuente está atualmente a trabalhar num projecto de autor escrito por Kieron Gillen e Jim Rossignol.

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Colors by Laura Allred.

Colors by Justin Ponsor.

Colors by John Rauch.

Colors by Justin Ponsor.

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